Girlgroups, a censura, a ditadura e o mimimi.

Logo nos primeiros dias do ano, foram liberados vários teasers que confirmavam os boatos que se espalharam no final do ano de 2013, que vários girlgroups estariam voltando com um conceito sexy (para total alegria dos fanboys). Só que com os lançamentos, as apresentações ao vivo e a divulgação, algumas pessoas não gostaram disso tudo, e começaram a reclamar na imprensa, nos fóruns, nas redes sociais, nas salas de aula, nas reuniões dos fãclubes do RBR, na torcida do Schalke 04… Falaram tanto que aconteceu o que todos temiam: os grupos tiveram que alterar suas coreografias e figurinos, muitas vezes prejudicando as promoções com uma coreografia feia. Feia não, em alguns casos, horrível.

Imagem conceitual de Something (via Dai5y.com)

Imagem conceitual de Something (via Dai5y.com)

O primeiro grupo que iremos falar é o Girl’s Day. O Girl’s Day passou de um conceito fofo para um sexy já no ano passado, com o lançamento de Expectation e Female President. Esse ano elas lançaram Something, uma música linda, com uma coreografia sexy, perfeita para muitos, constrangedora demais para alguns.

Acontece que a dança começa com um movimento um pouco provocativo que as garotas fazem no chão, e continua no refrão com uma passada de mão pelas pernas, além de um “dedilhado” sensual na perna de uma das integrantes no desenrolar da coreografia. Depois de umas duas semanas assim, veio o baque: membros e produtores dos programas coreanos (em especial a KBS) pediram uma alteração na coreografia (o engraçado é que surgiram notícias informando que essa modificação fora solicitada pelos fãs, o que é a mentira mais absurda já criada). Assim, as garotas alteraram os movimentos acima citados, o que fez a coreografia ficar uma merda, uma verdadeira bosta.

"B.B.B" Concept photo (via HQKpopGirls)

“B.B.B” Concept photo (via HQKpopGirls)

Depois, tivemos Dal Shabet, que veio com a música B.B.B. Não acompanhei muito as promoções do grupo, mas também é um estilo sexy, com movimentos um pouco provocativos (segundo relatos, falam que elas ficam com a mão nos seios e girando elas). Resultado? Modificações na coreografia com a remoção do movimento citado.

Miniskirt release pic (via HQKpopGirls)

Miniskirt release pic (via HQKpopGirls)

Aí, tivemos o AOA lançando Miniskirt, uma das músicas mais belas do ano até agora. Conceito sexy, onde elas iniciam a dança no chão, tem um movimento de abrir um zíper dos vestidos e um combo de reboladas e mão na bunda. Mais uma vez, os matusaléns coreanos frescaram com dança e solicitaram a mudança na coreografia. Infelizmente, a versão modificada chegou a ficar pior do que a versão modificada da dança do Girl’s Day.

Foto de divulgação (via HQKpopGirls)

Foto de divulgação (via HQKpopGirls)

Tivemos o Rainbow BLAXX debutando (uma subunidade do grupo Rainbow), com um conceito sensual com a música Cha Cha (lançaram até um teaser +19) e uma coreografia idem, um pouco menos provocativa que a dos outros grupos, mas igualmente censurada nos programas. Elas tiveram que alterar um movimento na coreografia e em todos os livres apresentaram com os braços e ombros cobertos (áreas sensuais, segundo os coreanos).

Divulgação - Stellar (via HQKpopGirls)

Divulgação – Stellar (via HQKpopGirls)

Finalizando, tivemos o recente retorno do grupo Stellar, esse sim, veio com uma coreografia com um grau de provocação alto. As garotas passam a mão nos seus corpos, descem até o chão e dão uma “coçadinha na bundinha”, além de um combo de reboladas e movimentos sensuais. Nem preciso falar o que os vovôs coreanos fizeram né? Modificar a coreografia, que não ficou boa, ficou muito ruim.

O que acontece é que os produtores e o governo coreano tá fechando o cerco contra coreografias provocantes e sensuais dos girlgroups, e utilizando as desculpas mais absurdas, como “proteger a mente dos mais novos” e falar que “os estudantes perdem a atenção nas lições quando assistem uma performance com movimentos sexys demais”. Meses atrás, vimos a notícia que a presidenta da Coreia queria banir o uso de minissaias e minishorts nas ruas e na televisão, uma atitude claramente de censura e porque não, de ditadura (caso não saibam, ela é filha do ditador coreano que reinou na Coreia durante os anos 80).

O mais irritante ainda é ver pessoas que não são fãs dos respectivos grupos tecerem comentários do tipo “eu me senti constrangido(a) quando eu vi essa dança”, “isso tá muito sensual pra mim” e afins. Mas, a coreografia e a música NÃO ESTÃO SENDO ENDEREÇADAS PARA ESSAS PESSOAS, e sim para os fãs dos grupos, que como eu, ficaram muito irritados com essas atitudes ditatoriais tomadas pelos produtores dos music shows. O nível dos comentários que lemos na internet (salvo muitos, preciso dizer) tá beirando o ridículo. É incrível como que na Coreia os homens podem fazer de tudo na televisão, enquanto as mulheres são sempre mais vigiadas e prejudicadas (assim como em muitos outros países, alô Brasil). Sinceramente, em um país onde os estudantes não estão felizes com sua rotina diária e as taxas de suicídio entre os jovens tem aumentado ano após ano, reduzir a quantidade de pele a mostra nas apresentações dos girlgroups não parece prioridade.

E assim termino esse post, sendo mais um desabafo contra essas atitudes tomadas por quem tem o poder nesse país asiático. Até o próximo post pessoal.

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